quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Made in Ocoy. Artesanato indígena faz sucesso na Suíça

 
Made in Ocoy. Artesanato indígena faz sucesso na Suíça
Os rostos são tímidos, mas as mãos são ligeiras. Elas torcem o bambu, esculpem a madeira, tecem a palha; movimentos que formam produtos e auto-estima. São bolsas de palha, colares de sementes, réplicas de animais e outras dezenas de peças de artesanato produzidos pelas índias da comunidade Tekoha Ocoy, em São Miguel do Iguaçu, a 35 quilômetros de Foz do Iguaçu. O que se resumia a traços da cultura indígena agora faz sucesso também na Europa.
    


Josefina e Fátima. Renda do artesanato reforça o orçamento doméstico.
   
De artesãs, essas mulheres viraram pequenas empresárias. Na semana passada, elas exportaram para a Suíça duas mil peças de artesanato. Um negócio intermediado pela Gebana, empresa suíça com sede no Brasil, que potencializa produtos de cooperativas e os vende na internet – tem também um estande no Parque Nacional do Iguaçu. Na Feira Vida Orgânica, em junho, os presidentes da Gebana no Brasil e na Suíça fecharam a parceria.
  


Nas oficinas, as artesãs aprendem a disciplinar o artesanato. As peças que antes eram vendidas em feiras, eventos e nas margens da BR-277, agora chegam a Europa.
          
O dinheiro chegou nesta segunda-feira. Cada artesão e artesã buscou sua parte no Centro de Nutrição e Artesanato da comunidade. Um reforço e tanto para a família de Josefina, de 36 anos de idade e quatro filhos para criar. As mãos rápidas lhe renderam R$ 1.100 na venda para os europeus. “Vou levar o dinheiro para a casa e comprar a comida para as crianças”, disse em sua voz tímida.
              


O Centro de Nutrição e Artesanato, construido na comunidade, organiza o artesanato e cuida da saúde das crianças.
         
Para elas, é um grande reforço financeiro no final do mês. Ou mais que isso. As índias descobriram no artesanato um novo padrão de vida e comportamento. Elas tornaram-se independentes financeiramente e, em muito casos, são essas mulheres que comandam e organizam o orçamento da família.
     


Homens e mulheres. Trabalho é dividido igualmente entre todos.
         
“As mulheres sempre tiveram um papel importante na família, mas elas nunca aparecem”, disse a gerente da Divisão de Ação Ambiental de Itaipu, Marlene Ortis. “Faz parte da cultura deles o homem aparecer e a mulher ficar nos bastidores”. Marlene acredita que, aos poucos, as mulheres começam a dar as caras e mostrar personalidade. Entre os artesãos, 70% são mulheres.
      
Cultura e renda
    
Os artesãos e artesãs do Ocoy aprenderam a técnica em oficinas ministradas em parceria pelo Senai e Itaipu. A capacitação começou a ser feita em 2007, e agora o produto já chega à Europa. “A comunidade do Ocoy é muito pequena, não tem espaço para plantar e vender”, explicou o coordenador do Programa de Sustentabilidade Indígena de Itaipu, João Carlos Bernardes. “A saída foi investir no artesanato”.

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